Tuesday, January 01, 2008


Suzana Gross, 25 de maio de 1987, em uma pequena cidade, não tão pequena, Getúlio Vargas. Filha de uma mãe gigante e irmã de dois grandes homens. Navegante do mundo interno e terrestre do externo. Adoradora de flores, marte e coisas pequenas, para alguns, faço do pequeno virar essencial - Do ponto da minha certa percepção -. Observadora de fatos e do vento, gosto das folhas brincando de voar e da vida que se mistura ao hoje. Uma biblioteca de lembranças... Falando em detalhes, gosto dos traços e de todo tipo de sorriso. Viajo em todas as coisas que passam por mim, deixando bem claro o certo limite que não existe. Gosto da questão de pele e da luxúria, peco todos os dias e a gulodice me persegue. Tenho um bom diálogo com cães de rua. Admiro os 5 sentidos, fascinada pelos poros e admito que arrepios são deliciosos. Uma perdida em relacionamentos amorosos e namorinhos de portão, costumam a me dizer que um dia eu acho. Mas a procura não vive mais de mim, é gostosa a ilusão do príncipe encantado... Imagino cenas antes de dormir, e carneirinhos viram desbaratinação total. Viciada em música. Gosto das descobertas. Prefiro ler a ver Tv, preferência por filmes europeus e cobertas bagunçadas no meio da sala. Não me importo com concordâncias e o tal nexo. Já corri do mundo, com vontade da lua. Já dancei escondida de todos e pulei no meio da multidão. Já estive com vários tipos de flores, já senti o aveludado da mesma e me diverti com as cores. Já investiguei uma barata e corri de lagartixa, e em todas às vezes foi fantástico. Já comi sem querer querendo, já escondi todos os doces debaixo da cama... Já me diverti com velhas piadas e noites de pijama. Já passei horas vendo estrelas e tentando contá-las. Já descobri que nem todo mundo é igual e que ao mesmo tempo existem certas semelhanças. Já vi desenho nas nuvens e dormi debaixo de uma árvore de amorinha. Já rodei de cabeça pra baixo, brinquei de pique esconde. Observei formigueiro.Já passei dias sem pensar, e dias só pensando. Já corri em zigue-zague entre os postes. Já me afoguei de tanto rir e ri pra não chorar. Já falei palavrões cabeludos, já briguei e perdi a razão. Já me escondi embaixo da mesa para assustar. Já fiquei presa no banheiro e pulei o muro. Já roí as unhas. E já deixei tanta gente. Já raspei panela de brigadeiro. Já vi o pôr do sol e suas tonalidades e fiquei de prosa sem pensar no tempo. Já experimentei certos experimentos.Já acreditei em formiga do dente, velho do saco, louca da maçã e no coelhinho da páscoa. Já tomei um porre e acordei com o sol na cara. Já escutei a mesma música durante horas a fio e inventei vários passos. Já fingi que dormia e espiei. Já andei de pé no chão e comi azedinhas da grama. Já andei devagar na chuva e molhei meus sapatos. Já olhei debaixo da cama antes de dormir. Já quis voltar ao passado e ter certa perspectiva de um futuro, já quis demais o presente. Já corri pelo escuro apertando os olhos. Já senti o tal gosto do amor, e sinto até hoje com tudo que tenho. Já senti saudade até sufocar. Já pintei o cabelo de cores diferentes, já usei maquilagem da mãe pra me sentir mulher. Já quebrei o salto por não saber me portar encima dele. Já cantei debaixo do chuveiro e me escondi na espuma. Já fiz xixi nas calças na porta do banheiro, já falei sozinha na rua e vi um filme sozinha. Já dormi nos teus braços sem estar, e já imaginei você que nunca vi e nem sei quem é. Já fiz caretas e sai correndo, já perdi as chaves e a bolsa. Já ri fora de hora e fiz campeonato de arroto (me dei mal). Já perdi e ganhei, e continuo querendo a tal da vida. Já quis ter mais e vi que tinha o que precisava... Já vesti as meias viradas e não penteei o cabelo ao acordar. Já arrumei e desarrumei malas em lugares diferentes. Já fiz xixi de pé e corri atrás de vaga-lumes. Já desisti e persistir. Já rasguei velhos retratos e os colei logo depois. Já fiz pose e já fui pega de surpresa. E eu gosto disso, das possibilidades. E as portas? Gosto do vento entrando por toda a casa. E eu continuo guardando meus discos velhos e descobrindo os novos.Como sensações e o acontecer.

Corra pelas flores amarelas. Corra entre elas e ao redor. Corra rápido sem pensar onde seus pés estão. Corra descalço e sinta a terra entrar no meio dos seus dedos. Em uma pitada de momento, o corpo se arrepia com tal manifestação pura. Veja a luxuria saindo pela sua pele e apenas toque, o céu não é tão longe assim. Vi meninas dançando ao entardecer, e achei delicioso o balanço dos corpos, apenas dançar. Corra pelas flores amarelas. Corra entre elas e ao redor. Corra rápido sem pensar se o vento bagunça os cabelos. Respire profundamente a nostalgia e grite tudo que há para não falar. Se você soubesse, que a tentação segue o rumo da luxuria por pura simplicidade. E o corpo se torna novo ao fim do dia, confortado em um canto, esperando a alma sair. Não continue andando por onde tão te basta, sente aqui ao meu lado e escute velhas músicas, seja devagar e ande pelas pedras, depois escutarei suas lamúrias meu bem. Sente ao lado de uma figueira, solte fumaça pela boca e leia um velho livro de páginas empoeiradas e amareladas, ache graça nisso, como eu meu bem. Menina, grande, ficarei por hoje para pentear seus cabelos. Não me olhe como alguém que já me viu em qualquer canto, nem me reconheça em suas lembranças, o velho saco de plástico voou por aqui hoje... Você percebe? Alguns já esqueceram de andar descalços alguns minutos no dia. Ah, se eles soubessem que não reconhecer o chão modifica o caminho. A grama estava molhada após a chuva de uma sexta feira e as rosetas continuam lá. Corra pelas flores amarelas. Corra entre e ao redor... Corra devagar agora, parando e olhando. Não esquecendo dos pés descalços e dos olhos, os olhos... Que tudo enxergam. Corra pelas flores amarelas e veja-as do seu jeito. E não me diga que são apenas amarelas, não diga tamanha tolice, meu bem!