
Corra pelas flores amarelas. Corra entre elas e ao redor. Corra rápido sem pensar onde seus pés estão. Corra descalço e sinta a terra entrar no meio dos seus dedos. Em uma pitada de momento, o corpo se arrepia com tal manifestação pura. Veja a luxuria saindo pela sua pele e apenas toque, o céu não é tão longe assim. Vi meninas dançando ao entardecer, e achei delicioso o balanço dos corpos, apenas dançar. Corra pelas flores amarelas. Corra entre elas e ao redor. Corra rápido sem pensar se o vento bagunça os cabelos. Respire profundamente a nostalgia e grite tudo que há para não falar. Se você soubesse, que a tentação segue o rumo da luxuria por pura simplicidade. E o corpo se torna novo ao fim do dia, confortado em um canto, esperando a alma sair. Não continue andando por onde tão te basta, sente aqui ao meu lado e escute velhas músicas, seja devagar e ande pelas pedras, depois escutarei suas lamúrias meu bem. Sente ao lado de uma figueira, solte fumaça pela boca e leia um velho livro de páginas empoeiradas e amareladas, ache graça nisso, como eu meu bem. Menina, grande, ficarei por hoje para pentear seus cabelos. Não me olhe como alguém que já me viu em qualquer canto, nem me reconheça em suas lembranças, o velho saco de plástico voou por aqui hoje... Você percebe? Alguns já esqueceram de andar descalços alguns minutos no dia. Ah, se eles soubessem que não reconhecer o chão modifica o caminho. A grama estava molhada após a chuva de uma sexta feira e as rosetas continuam lá. Corra pelas flores amarelas. Corra entre e ao redor... Corra devagar agora, parando e olhando. Não esquecendo dos pés descalços e dos olhos, os olhos... Que tudo enxergam. Corra pelas flores amarelas e veja-as do seu jeito. E não me diga que são apenas amarelas, não diga tamanha tolice, meu bem!
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