Wednesday, November 19, 2008

Jude dizia loucamente ao vento
O coturno velho e o couro com o cheiro... Cheiro de Henry.
A cama, a comida mal feita, o sorriso amarelo e o cigarro ao lado.
Jude precisa, do corpo, da mente e de toda a deslealdade de Henry...
Mas jude não o ama, simplesmente quer seu orgulho, mórbido e vazio.
Henry pega o primeiro trem, as dezoito horas, em um setembro chuvoso e gelado...
Ao lado, um bilhete e a poltrona vazia. São seis da manhã, quando Jude acorda, pega seu velho diário e delira com suas palavras, escondidas e intojadas.
Jude é imunda, caótica e insensível... Cheira a vinho e cigarro do mais forte.
Dirige feito doida pela cidade, enquanto Henry, busca novos ares.
Mas Jude também sonha, mas prefere ser ela... Mesmo que Henry não volte, ela estará do mesmo jeito... Sem esperar, com seu corpo branco na cama mal feita.
Jude cheira a sua própria emoção, sozinha, na velha banheira pequena e branca... Raspando as pernas, fumando um cigarro... Esperando o barulho de algo que mova sua vida de lugar, mas e Henry? Seu corpo, ela não toca mais, suas mãos são inibidas por seus prazeres... Somente pelos seus... Jude, um pouco de cada.

3 comments:

Lucas Schlemper said...

"Esperando o barulho de algo que mova sua vida de lugar."

e Jude espera, e espera, espera.
porque Jude é humana, e nós humanos, pequenos e tristes, estamos sempre esperando. às vezes pela mera ilusão de acreditar que coisas movam sozinhas, mas não movem. toda ação tem sua devida reação. se mexermos algo aqui, consequentemente algo se mexerá lá, e vice-versa.

Anonymous said...

O cheiro, o roxo nas nádegas, aqueles incontáveis fios de cabelos a menos; Lembranças que não nos deixam - em paz - jamais. A liberdade é falsa ilusão necessária, Amém. (in)Felizmente nem a maior boa vontade pode criar um 'botão delete' no coração.

"Mas Jude também sonha, mas prefere ser ela... "

Eu acho a Jude corajosa pelas suas atitudes. Mas o preço que ela paga para manter o seu orgulho & firmeza e podendo ser ela mesma é muito alto. Perder quem deseja, conviver com incontáveis 'se' e 'talvez' como fantasmas cotidianos.

Jude é um pouco de mim, de cada um de nós. Assim como Henry.

mmmm, eu gostei bastaste do seu texto, menina susu.

Ani Cristina Bariquello said...

Jude parece-me um pouco passiva,
não do tipo que não sabe o que quer,
e espera manifestações alheias,
mas acômodada, não sei.
O orgulho não vale o preço da felicidade que podemos alcançar quando o perdemos um pouco dele.